Nina a menina,
Acolhe-a em teu abraço
Que é o teu colo, que a faz pequenina.
Tão mulher e ferina,
Tão senhora dos seus passos,
É só pequena menina,
Envolta em seus braços.
Naquela fotografia,
Nem selvagem, nem vadia,
Todas eram ela.
Mulher, peregrina,
Noutras vezes menina, a cantar uma canção só pra ela.
Nunca estava nua.
A pele despida escondia ainda,
Segredos proibidos em seus densos olhos.
Nina, a menina, nina.
Tira os teus sapatos, embala-a em seus braços,
Aquece teu corpo.
Leva teu cheiro,
Ensopa a camisa -
Que é seu consolo nos dias frios,
Onde ela é só fotografia.
quinta-feira, 3 de março de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
Desses dias
Tem sido assim, um segmento de dias. Um acordar sem surpresas, chuva ou sol guiam os passos no acordar das manhãs. Caminho sobre folhas secas, andam comigo algumas lembranças. Teu rosto não. Teu reflexo dorme comigo, enquanto luto com dragões, salto precipícios, passeio em vôos noturnos. Abro os olhos antes do alarme para silenciar a rotina, o coração acelerado, o despertar forçado. O primeiro respirar do dia. Não me recordo os sonhos. Me vêm algumas imagens, recortes sem sentido. Me lembro de você, sorrindo pra mim, eu lhe dizendo absurdos - acho que às vezes você tem medo da minha falta de sanidade - sorrio. Saio de casa. Carrego alguns pedaços de fatos que me doem, sempre dói alguma coisa, todo os dias. No caminho, todos são você. Algumas recordações da noite anterior me trazem mais sorrisos. Horas que seguem, o tempo não perdoa atrasos. Um turbilhão de acontecimentos me distrai temporariamente. Os dias passam e passam. Entre uma tristeza passageira, um resfolegar de cansaço, um compromisso inadiável, uma presença. Sinto seu cheiro ou a sensação de estar em seus braços algumas vezes. A recordação me toma, e a consciência me pede cuidado. É que o amor tem dessas coisas, uma confusão que caminha para a distração, um mundo paralelo, muito mais gostoso. Às vezes, tem sabor de fruta fresca que molha a boca. Noutras, é teu gosto. Sabor de boca, misturado com doses de desejo que estão em seus olhos, seus braços, na ponta dos dedos. Um pedaço de cuidado. O resto é pecado, menor pronunciado, impregnado de carinho. Perdi a razão para algumas coisas. Não me acostumei com o silêncio. Gosto das respostas que passam longe do subentendido. Gosto assim, escancarado, meus segredos são seus. Em dias de espaços vagos, se chama saudade, o amor na ausência.
domingo, 21 de novembro de 2010
No que virá
Fosse assim, ainda fácil prever o futuro
Odiava ser contrariado.
Mas a vida o contrariava, que havia de se fazer?
Sentia-se quase um deus, senhor dos seus passos
Mas nada mais era do que um pequeno inseto,
Refém dos acontecimentos,
Como água da chuva que dissolve um formigueiro.
Ah, fora surpreendido.
Saiu dos diálogos inconclusivos e divagações absurdas
Teorias vãs - pagava o preço da curta vivência.
E esses encontros...
Veja que hoje é mistério da sábia coruja -
Surpreende na madrugada, anunciando a hora da partida.
E agora havia um sussurrar de declarações num canto qualquer da sala,
Um adeus forçado,
Um egoísmo em repartir.
Diálogos inacabados,
Retalhos do vestido
Rendido, rendado,
Arrendastes o coração por inteiro.
No que virá,
É o que ainda não estava.
É um tal de perceber a chama,
Repor as velas,
Escrever na pele em brasa novos poemas.
Tremer de desejo,
Ensopar de agonia,
Rasgar rascunhos desentendidos,
Desistir de antídoto pra tudo isso.
Odiava ser contrariado.
Mas a vida o contrariava, que havia de se fazer?
Sentia-se quase um deus, senhor dos seus passos
Mas nada mais era do que um pequeno inseto,
Refém dos acontecimentos,
Como água da chuva que dissolve um formigueiro.
Ah, fora surpreendido.
Saiu dos diálogos inconclusivos e divagações absurdas
Teorias vãs - pagava o preço da curta vivência.
E esses encontros...
Veja que hoje é mistério da sábia coruja -
Surpreende na madrugada, anunciando a hora da partida.
E agora havia um sussurrar de declarações num canto qualquer da sala,
Um adeus forçado,
Um egoísmo em repartir.
Diálogos inacabados,
Retalhos do vestido
Rendido, rendado,
Arrendastes o coração por inteiro.
No que virá,
É o que ainda não estava.
É um tal de perceber a chama,
Repor as velas,
Escrever na pele em brasa novos poemas.
Tremer de desejo,
Ensopar de agonia,
Rasgar rascunhos desentendidos,
Desistir de antídoto pra tudo isso.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
A louca
Gosto que penses que sou tua
E que me beijes a boca -
A louca.
Gosto do clarão da lua
Minha mão na tua e a sensação de pertença -
Descrença.
Gosto das quatro paredes,
Da brisa balançando a rede
De pôr meu batom vermelho, flor no cabelo, olhos de sol -
Girassol.
Gosto das minhas dúvidas,
Talvez mais das tuas
Sombrias e cruas
Entre meus gestos e jeito de não sei o quê.
Gosto do pecado, mal passado, mal tragado, invocado
Adrenalina, serotonina, ocitocina
Meu mundo que não está no seu.
Gosto do frio lá fora
Que vai embora, enquanto me deixo ser
A louca, que tu beijas a boca,
Sem merecer.
Gosto de não ser, assim, como parece ser.
Dos passos descalços na chuva,
Da mão que esconde a luva,
Da lágrima a perecer.
Gosto da aventura,
Absurdo,
Papel de parede,
Cores de cinema,
Poema.
E que me beijes a boca -
A louca.
Gosto do clarão da lua
Minha mão na tua e a sensação de pertença -
Descrença.
Gosto das quatro paredes,
Da brisa balançando a rede
De pôr meu batom vermelho, flor no cabelo, olhos de sol -
Girassol.
Gosto das minhas dúvidas,
Talvez mais das tuas
Sombrias e cruas
Entre meus gestos e jeito de não sei o quê.
Gosto do pecado, mal passado, mal tragado, invocado
Adrenalina, serotonina, ocitocina
Meu mundo que não está no seu.
Gosto do frio lá fora
Que vai embora, enquanto me deixo ser
A louca, que tu beijas a boca,
Sem merecer.
Gosto de não ser, assim, como parece ser.
Dos passos descalços na chuva,
Da mão que esconde a luva,
Da lágrima a perecer.
Gosto da aventura,
Absurdo,
Papel de parede,
Cores de cinema,
Poema.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Amargo
Traga-me um gole de vinho.
Melhor – beberei a garrafa inteira.
Quero mergulhar em um estado lépido
Capaz de aniquilar a angústia que me rasga o peito.
Vários papéis foram para o lixo.
Não poderia transparecer minha fraqueza em palavras.
De repente, seu silêncio me transportava ao desconhecido,
Onde não sabia quem eu era e nem o que eu queria.
Não, não queria falar ou pensar.
A minha tristeza nem mais chorava ou cantava,
Nem sei se sentia.
Só ouvia o ruído do ranger de dentes,
E o riso dos casais que passavam.
Sentia na boca um gosto amargo -
Odiava a sua ausência e o não saber das coisas.
É que tudo tinha um quê de desconhecido ou não aparente...
Gostava dos detalhes.
Fora alimentado com amor a cada dia,
Com pequenas doses de carinho e compaixão.
Restara a lembrança.
Do bilhete ao lado da cama ao acordar,
Do modo como lhe tocava a face,
Do cheiro do sabonete de um banho recém-tomado,
Dos cabelos ainda molhados, que vinham lhe acariciar o peito.
Detalhes do passado.
Agora olho o andar dos ponteiros do relógio e bebo.
Não, não funciona.
Mais um papel rasgado.
Sorrio, sinto o efeito do vinho.
O vento sopra-me os cabelos.
Algumas coisas não fazem mais sentido.
Melhor – beberei a garrafa inteira.
Quero mergulhar em um estado lépido
Capaz de aniquilar a angústia que me rasga o peito.
Vários papéis foram para o lixo.
Não poderia transparecer minha fraqueza em palavras.
De repente, seu silêncio me transportava ao desconhecido,
Onde não sabia quem eu era e nem o que eu queria.
Não, não queria falar ou pensar.
A minha tristeza nem mais chorava ou cantava,
Nem sei se sentia.
Só ouvia o ruído do ranger de dentes,
E o riso dos casais que passavam.
Sentia na boca um gosto amargo -
Odiava a sua ausência e o não saber das coisas.
É que tudo tinha um quê de desconhecido ou não aparente...
Gostava dos detalhes.
Fora alimentado com amor a cada dia,
Com pequenas doses de carinho e compaixão.
Restara a lembrança.
Do bilhete ao lado da cama ao acordar,
Do modo como lhe tocava a face,
Do cheiro do sabonete de um banho recém-tomado,
Dos cabelos ainda molhados, que vinham lhe acariciar o peito.
Detalhes do passado.
Agora olho o andar dos ponteiros do relógio e bebo.
Não, não funciona.
Mais um papel rasgado.
Sorrio, sinto o efeito do vinho.
O vento sopra-me os cabelos.
Algumas coisas não fazem mais sentido.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Descompassado
Eu quero viver,viver assim desesperadamente,
Sentir na boca o amargo da decepção,
O pulsar das veias,
O gosto da tua boca que me toma -
me faltam alguns sentidos.
Quero o correr do tempo nessa tal adrenalina que não pedi,
e andar, cantar e sofrer e doer, tudo ao mesmo tempo.
Quero o avesso.
Contrariar e cortar ao meio,
Mergulhar fundo,
Apesar de,
Apesar se,
Ou se assim fosse,
Queria que fosse,
Não é o meu jeito,
Foi assim, quero assim, assim eu gosto.
Correr.
Sinto uma apatia diante dos ponteiros do relógio -
Que se movem,
Agressivos,
Separando e unindo os corpos ao ritmo do tic tac.
Regressei.
Adeus de novo.
Num vai e vem de estação,
Meu corpo apenas se movia...
E eu ainda preferia olhar-te sob o sol quente que me ardia as costas.
E toda aquela terra vermelha,
E o céu do sertão onde nasci...
E no meio de miudezas e sutilezas,
No resfolegar de alguns minutos,
Ainda pude ver o mar.
Tivemos tempo ainda para uma última música.
Sinto que não durmo.
A madrugada indolente sucumbiu rápido.
Mas ora, veja essa: Ainda há tempo!
Nesses passos sem compasso,
Veja que o dia tem pressa,
Se acaba, logo cessa,
Mais uma vez a noite, para iluminar tudo.
Sentir na boca o amargo da decepção,
O pulsar das veias,
O gosto da tua boca que me toma -
me faltam alguns sentidos.
Quero o correr do tempo nessa tal adrenalina que não pedi,
e andar, cantar e sofrer e doer, tudo ao mesmo tempo.
Quero o avesso.
Contrariar e cortar ao meio,
Mergulhar fundo,
Apesar de,
Apesar se,
Ou se assim fosse,
Queria que fosse,
Não é o meu jeito,
Foi assim, quero assim, assim eu gosto.
Correr.
Sinto uma apatia diante dos ponteiros do relógio -
Que se movem,
Agressivos,
Separando e unindo os corpos ao ritmo do tic tac.
Regressei.
Adeus de novo.
Num vai e vem de estação,
Meu corpo apenas se movia...
E eu ainda preferia olhar-te sob o sol quente que me ardia as costas.
E toda aquela terra vermelha,
E o céu do sertão onde nasci...
E no meio de miudezas e sutilezas,
No resfolegar de alguns minutos,
Ainda pude ver o mar.
Tivemos tempo ainda para uma última música.
Sinto que não durmo.
A madrugada indolente sucumbiu rápido.
Mas ora, veja essa: Ainda há tempo!
Nesses passos sem compasso,
Veja que o dia tem pressa,
Se acaba, logo cessa,
Mais uma vez a noite, para iluminar tudo.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Dos poucos saberes
Do amor nada sei,
...sou sabido
fruto de deliciosas brincadeiras de pé de ouvido
e de perigosas tentações e intrigas.
De algo poderoso e oculto
que anseia por um rio de águas ardentes
um rio que conclama a um mergulho afoito
até que então um mar se esvai.
Sou sabido dessas coisas
das conversas tortas e vivas e um vinho tinto
que descansa numa taça já perdida
e um cigarro de depois...
Nada sei do porvir,
Da carta começada que não chegou ao fim,
Do desejo de partida que não se consumiu.
Sei dos meus vagarosos passos,
Que hesitam, ao compasso dos desafios.
Sou parte do que se uniu,
Inteiro ausente,
Metade de nenhum dos dois.
Quem sabe um nó pendente,
Pronto, somente, para desatar.
Mergulho em rio de águas claras,
Ao passo em que me julgas perdido.
Já sou bem nascido,
Chorei em teus braços,
Dormi num abraço,
Sigo hoje os passos
Do desconhecido.
Deixei minha carta,
Para falar-te do amor consentido.
Sabido, eu sou liberdade,
Sou todo saudade,
Parto, mas deixo meu beijo contigo.
(Indhira Almeida/ Edgard Neto)
...sou sabido
fruto de deliciosas brincadeiras de pé de ouvido
e de perigosas tentações e intrigas.
De algo poderoso e oculto
que anseia por um rio de águas ardentes
um rio que conclama a um mergulho afoito
até que então um mar se esvai.
Sou sabido dessas coisas
das conversas tortas e vivas e um vinho tinto
que descansa numa taça já perdida
e um cigarro de depois...
Nada sei do porvir,
Da carta começada que não chegou ao fim,
Do desejo de partida que não se consumiu.
Sei dos meus vagarosos passos,
Que hesitam, ao compasso dos desafios.
Sou parte do que se uniu,
Inteiro ausente,
Metade de nenhum dos dois.
Quem sabe um nó pendente,
Pronto, somente, para desatar.
Mergulho em rio de águas claras,
Ao passo em que me julgas perdido.
Já sou bem nascido,
Chorei em teus braços,
Dormi num abraço,
Sigo hoje os passos
Do desconhecido.
Deixei minha carta,
Para falar-te do amor consentido.
Sabido, eu sou liberdade,
Sou todo saudade,
Parto, mas deixo meu beijo contigo.
(Indhira Almeida/ Edgard Neto)
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
No que foi
Tinha cor, tinha gosto de... boca.
Naquelas noites em que as canções eram pra ninguém,
Duas doses de desejo no fundo de um copo qualquer.
O olhar disfarçava qualquer traço de loucura.
Um gole de conhaque pra espantar o frio,
Um trago do cigarro que não sabia fumar,
A lua, a boca do batom vermelho.
Fotografias em preto e branco.
Um dia qualquer,
Um poema inacabado,
Pedaços de papel velho.
O rosto, o olhar, o sorriso,
O gosto.
Rabiscos do passado,
Adeus não pronunciado,
Descida na próxima estação.
Desejo,
Algum outro e qualquer episódio inacabado.
Naquelas noites em que as canções eram pra ninguém,
Duas doses de desejo no fundo de um copo qualquer.
O olhar disfarçava qualquer traço de loucura.
Um gole de conhaque pra espantar o frio,
Um trago do cigarro que não sabia fumar,
A lua, a boca do batom vermelho.
Fotografias em preto e branco.
Um dia qualquer,
Um poema inacabado,
Pedaços de papel velho.
O rosto, o olhar, o sorriso,
O gosto.
Rabiscos do passado,
Adeus não pronunciado,
Descida na próxima estação.
Desejo,
Algum outro e qualquer episódio inacabado.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Estranho
Desejou desaparecer,derramar,
Como água que escorre pelos dedos.
Era um estranho.
Trouxera pensamentos agradáveis dentro do peito -
Estilhaçaram,todos eles,entre o pôr do sol e uma lua cheia.
Água e sal caíram-lhe pelos olhos.
Havia de esquecer a presença sempre ausente daqueles passos.
Não sabia que fazia parte de um jogo.
Não sabia dar as cartas.
Ao passo que se passaram os dias,
Descobrira.
As peças do quebra-cabeça se desmontaram,
Dispersaram, como um brinquedinho.
Nunca mais se encaixaram.
Havia razão para a monotonia.
Não havia mais razão de ser poesia.
Estranhos serão somente estranhos.
Como água que escorre pelos dedos.
Era um estranho.
Trouxera pensamentos agradáveis dentro do peito -
Estilhaçaram,todos eles,entre o pôr do sol e uma lua cheia.
Água e sal caíram-lhe pelos olhos.
Havia de esquecer a presença sempre ausente daqueles passos.
Não sabia que fazia parte de um jogo.
Não sabia dar as cartas.
Ao passo que se passaram os dias,
Descobrira.
As peças do quebra-cabeça se desmontaram,
Dispersaram, como um brinquedinho.
Nunca mais se encaixaram.
Havia razão para a monotonia.
Não havia mais razão de ser poesia.
Estranhos serão somente estranhos.
domingo, 20 de junho de 2010
Sorriso de inverno
Sorriu pra ela.
E guardou aquele sorriso por dias e dias,
Como se dele derramassem todos os sentimentos do mundo.
Era um riso que continha luz, continha paz,
Continha um pedaço daquela alma.
Era um riso de quem queria sorrir.
Um riso no escuro, quando a lua os observava de cima, e também sorria.
Um sorriso familiar, que vinha de alguém que não lhe sorria há muito.
E tinha uma música também familiar que tocava,
E estavam imersos em uma névoa de suaves acordes que se alternavam
com qualquer tom mais agressivo.
E depois do dia do riso restaram lembranças.
E lembrou-se deste e de outros risos,
em outras atmosferas que eram coloridas como circo,
Ou navegavam em uma nau a alto bordo.
Ela não saberia dizer se gostaria de ler esses versos.
Ela queria somente que também se lembrasse.
Dos acordes suaves,
Dos olhos que lhe sorriam,
Do sono que lhes embalou os sonhos.
E que lhe perdoasse o transcrever dos versos,
Que surgiam no inverno de uma tarde fria em data qualquer,
Onde o céu cinza tomava conta do dia,
Onde lhe faltava qualquer doce acorde, brisa de mar, embalo de sonhos ou cores de circo.
E guardou aquele sorriso por dias e dias,
Como se dele derramassem todos os sentimentos do mundo.
Era um riso que continha luz, continha paz,
Continha um pedaço daquela alma.
Era um riso de quem queria sorrir.
Um riso no escuro, quando a lua os observava de cima, e também sorria.
Um sorriso familiar, que vinha de alguém que não lhe sorria há muito.
E tinha uma música também familiar que tocava,
E estavam imersos em uma névoa de suaves acordes que se alternavam
com qualquer tom mais agressivo.
E depois do dia do riso restaram lembranças.
E lembrou-se deste e de outros risos,
em outras atmosferas que eram coloridas como circo,
Ou navegavam em uma nau a alto bordo.
Ela não saberia dizer se gostaria de ler esses versos.
Ela queria somente que também se lembrasse.
Dos acordes suaves,
Dos olhos que lhe sorriam,
Do sono que lhes embalou os sonhos.
E que lhe perdoasse o transcrever dos versos,
Que surgiam no inverno de uma tarde fria em data qualquer,
Onde o céu cinza tomava conta do dia,
Onde lhe faltava qualquer doce acorde, brisa de mar, embalo de sonhos ou cores de circo.
sábado, 29 de maio de 2010
Lua
Tudo isso era a lua, nua, sorrindo pra mim.
Estampada na noite negra,
Prateada e graciosa,
Cheiro de alecrim.
Seu clarão entrava pela minha janela,
E era nela onde minh´alma cabia.
Não bastasse nua e linda,
Era ainda minha, só minha.
Por um momento achei que dançasse,
Majestosa,
Cheia,
Provocando em mim sentimentos tantos,
Um misto entre mim e lua
Não sei quem gritava - ou mudava de humor.
Não sei de qual corpo exalava luxúria,
Não sei em quem, por um instante,
Havia uma lacuna.
Tudo isso era eu ou ela, ou um misto,
Na velocidade da luz,
No clarão da janela,
Tudo isso era culpa dela,
Só ela,
Que entrava pela minha janela,
Suntuosa,
Que me despia e vestia,
E enxugava meu pranto.
Estampada na noite negra,
Prateada e graciosa,
Cheiro de alecrim.
Seu clarão entrava pela minha janela,
E era nela onde minh´alma cabia.
Não bastasse nua e linda,
Era ainda minha, só minha.
Por um momento achei que dançasse,
Majestosa,
Cheia,
Provocando em mim sentimentos tantos,
Um misto entre mim e lua
Não sei quem gritava - ou mudava de humor.
Não sei de qual corpo exalava luxúria,
Não sei em quem, por um instante,
Havia uma lacuna.
Tudo isso era eu ou ela, ou um misto,
Na velocidade da luz,
No clarão da janela,
Tudo isso era culpa dela,
Só ela,
Que entrava pela minha janela,
Suntuosa,
Que me despia e vestia,
E enxugava meu pranto.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Pedido
Caem-se as folhas,
Os olhos fecham mais cedo,
Os ponteiros do relógio estão lentos,
Brisa fria em meus cabelos.
O sol pálido emudece as falas,
O abrir de olhos é preguiçoso,
As noites são ainda mais frias.
Jogo fora todos os rascunhos de páginas mal vividas -
Sequer consigo preencher uma única linha.
Amanheço, anoiteço, passam sóis e luas,
Deixei as lembranças na estação para que peguem o próximo trem.
Mas como preencher os dias?
Pouco lhe peço.
Devolva minha poesia,
Dê-me de volta a primavera,
Leve embora essa brisa fria.
Os olhos fecham mais cedo,
Os ponteiros do relógio estão lentos,
Brisa fria em meus cabelos.
O sol pálido emudece as falas,
O abrir de olhos é preguiçoso,
As noites são ainda mais frias.
Jogo fora todos os rascunhos de páginas mal vividas -
Sequer consigo preencher uma única linha.
Amanheço, anoiteço, passam sóis e luas,
Deixei as lembranças na estação para que peguem o próximo trem.
Mas como preencher os dias?
Pouco lhe peço.
Devolva minha poesia,
Dê-me de volta a primavera,
Leve embora essa brisa fria.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Descaso
Enquanto seguia com meu delírio, achava que era participativo
Você sussurando sempre que podia obscenidades em meu ouvido
E tudo aquilo se agravava de tal forma e tanto,
Na minha inocência deixava suas mãos em meu corpo -
puro encanto.
Na minha docilidade eu entendia que as palavras não morreriam
E o seu silêncio me corroeu a alma
e deixou em mim uma náusea -
morimbunda, que escorria pelas minhas mãos e veias
e aquilo foi me tomando de tal forma
que eu me dissolvia nas amarguras da modernidade.
O escuro, a poesia que antes enebriava e encantava -
um ponto.
Agora venho eu, com o olhar um tanto morto
a vagar pelos cantos,
com a minha solidão de sempre.
E o seu silêncio despertando a minha ira,
tomando meus poros,
e consumindo a doçura de outrora.
Lona de circo,
és a atração mor do picadeiro.
E lá estou eu na platéia,
cinicamente, amarga,
a sorrir do seu descaso.
Você sussurando sempre que podia obscenidades em meu ouvido
E tudo aquilo se agravava de tal forma e tanto,
Na minha inocência deixava suas mãos em meu corpo -
puro encanto.
Na minha docilidade eu entendia que as palavras não morreriam
E o seu silêncio me corroeu a alma
e deixou em mim uma náusea -
morimbunda, que escorria pelas minhas mãos e veias
e aquilo foi me tomando de tal forma
que eu me dissolvia nas amarguras da modernidade.
O escuro, a poesia que antes enebriava e encantava -
um ponto.
Agora venho eu, com o olhar um tanto morto
a vagar pelos cantos,
com a minha solidão de sempre.
E o seu silêncio despertando a minha ira,
tomando meus poros,
e consumindo a doçura de outrora.
Lona de circo,
és a atração mor do picadeiro.
E lá estou eu na platéia,
cinicamente, amarga,
a sorrir do seu descaso.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Boca da Noite
Tanta ternura naqueles olhos tristes,
Tanta candura naquele semblante,
Um tanto de pouco e um cadinho de muito.
Na boca da noite guardava segredos
que a seu coração partia.
E guardava seu canto de tristeza,
Dentro de um canto que não lhe cabia.
Na euforia, esquecia de derramar lágrimas
Enquanto manchava o azulejo.
Palavras veladas que não escondiam
Tristeza, medo, desejo.
Os olhos tristes que olhavam e gritavam
Enquanto sucumbia, silenciosamente -
Chuva que caía dentro de si.
Na porta que se fechou, ainda havia uma fenda
Na barra do vestido, tecido de renda,
Na água que apagou, a chama acesa.
Na visão cristalina da menina que lhe apareceu
Um lampejo, um ensejo, um despejo
Na ausência do que lhe partia,
Restara-lhe um beijo.
Naquela noite, não quisera despertar.
Lá, onde a alma morava,
Lá, lugar de vestígios,
Lá, onde ainda podiam ler-lhe os olhos,
Lá, naquela noite, a dor não vingara.
Tanta candura naquele semblante,
Um tanto de pouco e um cadinho de muito.
Na boca da noite guardava segredos
que a seu coração partia.
E guardava seu canto de tristeza,
Dentro de um canto que não lhe cabia.
Na euforia, esquecia de derramar lágrimas
Enquanto manchava o azulejo.
Palavras veladas que não escondiam
Tristeza, medo, desejo.
Os olhos tristes que olhavam e gritavam
Enquanto sucumbia, silenciosamente -
Chuva que caía dentro de si.
Na porta que se fechou, ainda havia uma fenda
Na barra do vestido, tecido de renda,
Na água que apagou, a chama acesa.
Na visão cristalina da menina que lhe apareceu
Um lampejo, um ensejo, um despejo
Na ausência do que lhe partia,
Restara-lhe um beijo.
Naquela noite, não quisera despertar.
Lá, onde a alma morava,
Lá, lugar de vestígios,
Lá, onde ainda podiam ler-lhe os olhos,
Lá, naquela noite, a dor não vingara.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Velho Novo Ano?
Desculpe-me se perdi algumas formalidades.
Não quero parecer um tanto rude, mas não encha minha caixa de emails com desejos de felicidades, nem me mande Receita de Ano Novo, do Drummond.
Não que eu não goste destes mimos.
Mas você teve todo o ano para me dizer tantas coisas!
E por que receber isso, afinal, ao término de todo ano?
365 dias e você me faz um agrado nos minutos que faltam para outro calendário.
Não preciso de receitas para um novo ano. Sequer consigo seguir minha agenda.
Preciso que me diga o que está ali, preso na garganta naquele dia em que nada deu certo pra você. Ou em um dia em que eu te liguei porque precisava da tua companhia.
Ou no dia em que ouvi uma música e te mandei, porque achei que se parecia contigo.
Então prometa-me que irá me abraçar quando tiver vontade. Que vai me enviar uma poesia sua, que você acabou de escrever. Que ligou porque se lembrou de mim. Que quer sair pra beber na segunda-feira. Que foi até o meu encontro só porque precisava me dar um abraço. Que precisa de companhia pra dar um grito em qualquer lugar ermo porque faltou ar. Que quer chutar o balde porque está cheio de tudo.
E eis que temos um novo ano. E vamos rasgar a receita, e colocar um pouco de tudo o que falta para dar mais tempero.
Deixar a poesia pra todo dia, e mudar os autores.
Cantar música nova, compor.
Pintar a parede de amarelo para espantar os dias cinzentos.
Planejar aquela viagem que combinamos todos os anos e que nunca sai.
Chegar sem avisar, sumir e sempre voltar. Partir e voltar com mais saudade.
Dizer que quer, agora, neste momento, pra já!
Escrever, apagar, reler, revisar, corrigir, desdizer, calar, por que não?
E não se entristeça se não te mandei uma mensagem no Natal, na Páscoa ou no Ano Novo.
É que são tantos dias em meu calendário pra estar contigo, que reservo-me no direito de guardar a minha alegria para você em dias anônimos.
Não quero um ano novo com cara do que passou.
Não quero mais do mesmo.
Quero me reservar ao direito de amar.
Amar rasgado, de todos os jeitos, formas, sabores e cores.
Me deixar amar.
Amor sentido na pele, que não se define. Amor que grita no peito, cheio de defeitos. Não esse amor patético da televisão ou das páginas de sites de relacionamentos.
Dias novinhos!
Dias com mais riso, dias de aprendizado, dias de mudar porque não precisa ser sempre igual.
Dias sem planos.
Dias de se permitir ser humano,
Carente, cansado, passional, abatido, sem rumo, mal amado, agressivo.
Por favor, não me mande receitas, nem siga as minhas. Reserve a agenda para as poesias, um dia pra se esconder, e outro pra me encontrar. Só não espere um ano novo pra isso.
Não quero parecer um tanto rude, mas não encha minha caixa de emails com desejos de felicidades, nem me mande Receita de Ano Novo, do Drummond.
Não que eu não goste destes mimos.
Mas você teve todo o ano para me dizer tantas coisas!
E por que receber isso, afinal, ao término de todo ano?
365 dias e você me faz um agrado nos minutos que faltam para outro calendário.
Não preciso de receitas para um novo ano. Sequer consigo seguir minha agenda.
Preciso que me diga o que está ali, preso na garganta naquele dia em que nada deu certo pra você. Ou em um dia em que eu te liguei porque precisava da tua companhia.
Ou no dia em que ouvi uma música e te mandei, porque achei que se parecia contigo.
Então prometa-me que irá me abraçar quando tiver vontade. Que vai me enviar uma poesia sua, que você acabou de escrever. Que ligou porque se lembrou de mim. Que quer sair pra beber na segunda-feira. Que foi até o meu encontro só porque precisava me dar um abraço. Que precisa de companhia pra dar um grito em qualquer lugar ermo porque faltou ar. Que quer chutar o balde porque está cheio de tudo.
E eis que temos um novo ano. E vamos rasgar a receita, e colocar um pouco de tudo o que falta para dar mais tempero.
Deixar a poesia pra todo dia, e mudar os autores.
Cantar música nova, compor.
Pintar a parede de amarelo para espantar os dias cinzentos.
Planejar aquela viagem que combinamos todos os anos e que nunca sai.
Chegar sem avisar, sumir e sempre voltar. Partir e voltar com mais saudade.
Dizer que quer, agora, neste momento, pra já!
Escrever, apagar, reler, revisar, corrigir, desdizer, calar, por que não?
E não se entristeça se não te mandei uma mensagem no Natal, na Páscoa ou no Ano Novo.
É que são tantos dias em meu calendário pra estar contigo, que reservo-me no direito de guardar a minha alegria para você em dias anônimos.
Não quero um ano novo com cara do que passou.
Não quero mais do mesmo.
Quero me reservar ao direito de amar.
Amar rasgado, de todos os jeitos, formas, sabores e cores.
Me deixar amar.
Amor sentido na pele, que não se define. Amor que grita no peito, cheio de defeitos. Não esse amor patético da televisão ou das páginas de sites de relacionamentos.
Dias novinhos!
Dias com mais riso, dias de aprendizado, dias de mudar porque não precisa ser sempre igual.
Dias sem planos.
Dias de se permitir ser humano,
Carente, cansado, passional, abatido, sem rumo, mal amado, agressivo.
Por favor, não me mande receitas, nem siga as minhas. Reserve a agenda para as poesias, um dia pra se esconder, e outro pra me encontrar. Só não espere um ano novo pra isso.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Pa-la-vras
Gosto das palavras.
Mantenho o hábito de degustá-las, mastigá-las, e, principalmente, absorvê-las.
Gosto de escrever sentindo o sabor de cada sílaba, de pronunciá-las, talvez, para sentir seu timbre.
Gosto de ler e reler algumas, como se não bastasse devorá-las avidamente.
Prefiro escrever a dizer.
É que as palavras têm um charme, um enlace, jogo de sedução indescritível.
Não, não mando recados.
Apenas lanço-as no ar.
Não sei como vai entendê-las,
Se é que as entende, nesse mistério entre o escrito,o não escrito e o subentendido.
Entre o que registro e o que faço você pensar.
Gosto de proferí-las, cantá-las, e até me deixar agredir por algumas delas.
Deslizo os dedos sobre o teclado ou as risco raramente sobre o papel.
Só sei que estão ali, comigo, todos os dias.
E quando as dirijo a você, partilho pedaços do que me dissolve.
E se não lhes devolvo, é porque só te deixo o meu descaso.
São nelas, as palavras, onde me recolho.
Me salvo.
Me calo, ou me deixo gritar.
Viajo, me espalho, me estranho, me entrego.
Me curo.
É quando ultrapasso qualquer frivolidade,
Para me perder em lugares altamente sedutores,
Febris, voluptuosos, ingênuos, passionais...
Proferida, ao pé do ouvido, é como folha no Outono.
Composta, transcrita, redigida, ultrapassa quatro estações.
Mantenho o hábito de degustá-las, mastigá-las, e, principalmente, absorvê-las.
Gosto de escrever sentindo o sabor de cada sílaba, de pronunciá-las, talvez, para sentir seu timbre.
Gosto de ler e reler algumas, como se não bastasse devorá-las avidamente.
Prefiro escrever a dizer.
É que as palavras têm um charme, um enlace, jogo de sedução indescritível.
Não, não mando recados.
Apenas lanço-as no ar.
Não sei como vai entendê-las,
Se é que as entende, nesse mistério entre o escrito,o não escrito e o subentendido.
Entre o que registro e o que faço você pensar.
Gosto de proferí-las, cantá-las, e até me deixar agredir por algumas delas.
Deslizo os dedos sobre o teclado ou as risco raramente sobre o papel.
Só sei que estão ali, comigo, todos os dias.
E quando as dirijo a você, partilho pedaços do que me dissolve.
E se não lhes devolvo, é porque só te deixo o meu descaso.
São nelas, as palavras, onde me recolho.
Me salvo.
Me calo, ou me deixo gritar.
Viajo, me espalho, me estranho, me entrego.
Me curo.
É quando ultrapasso qualquer frivolidade,
Para me perder em lugares altamente sedutores,
Febris, voluptuosos, ingênuos, passionais...
Proferida, ao pé do ouvido, é como folha no Outono.
Composta, transcrita, redigida, ultrapassa quatro estações.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Digital
Das horas fatigadas de tanto pensar,
De um pensamento frequente e latente,
De explicações e divagações diversas,
Meu mundo digital.
Da vontade maluca de dizer bilhões de coisas,
De uma febre que toma conta e não passa.
De uma insanidade que me comoveria, se me bastasse.
E tento disfarçar tantos sentimentos que me tomam.
Mas os olhos - malditos olhos!
Denunciam tantos desejos que se movem, ardem, transcendem...
se eu não estivesse do outro lado.
E eu posso ver...
Teu semblante, teu olho, teu sorriso
Minha mão, por um instante, toca teu rosto.
E eu, por alguns segundos, perco o juízo.
Vem da brisa da noite, poderosa cor que pinta o dia
E transforma a paz em uma agonia
Que não dói, não machuca, apenas... inspira.
Mas novamente vem o dia, seus sóis, suas datas,
As páginas do calendário que se vão,
Minhas caras e bocas imperceptíveis do outro lado da tela,
Por um instante você está aqui, afagando meus cabelos,
brisa, noite, poesia, tédio ou remédio...
Do outro lado da tela.
Listening - "Translation" - Bluebell
De um pensamento frequente e latente,
De explicações e divagações diversas,
Meu mundo digital.
Da vontade maluca de dizer bilhões de coisas,
De uma febre que toma conta e não passa.
De uma insanidade que me comoveria, se me bastasse.
E tento disfarçar tantos sentimentos que me tomam.
Mas os olhos - malditos olhos!
Denunciam tantos desejos que se movem, ardem, transcendem...
se eu não estivesse do outro lado.
E eu posso ver...
Teu semblante, teu olho, teu sorriso
Minha mão, por um instante, toca teu rosto.
E eu, por alguns segundos, perco o juízo.
Vem da brisa da noite, poderosa cor que pinta o dia
E transforma a paz em uma agonia
Que não dói, não machuca, apenas... inspira.
Mas novamente vem o dia, seus sóis, suas datas,
As páginas do calendário que se vão,
Minhas caras e bocas imperceptíveis do outro lado da tela,
Por um instante você está aqui, afagando meus cabelos,
brisa, noite, poesia, tédio ou remédio...
Do outro lado da tela.
Listening - "Translation" - Bluebell
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Se me atraso
Pouca luz, taça de vinho, calafrio.
Tua mão em minha nuca,
Teu olho perturbando meu juízo.
Minha boca procurando a tua.
Havia muita coisa a ser dita.
Silêncio.
Vontade que ardia.
Sem palavras, um beijo.
Adeus.
Correm-se dias.
Rio de lágrimas dentro de mim.
Vazio.
Sinto teu cheiro.
Aquela canção.
Pele nua e crua. Mãos.
Céu sem nuvem.
Noite.
Chuva.
Um acordo tácito,
Tempo perdido.
Perto e tão longe de tudo.
É que não me deixei sentir.
Passo à frente. Medo. Recuo.
Mais uma vez perdi.
Me atraso.
Deixei-me partir.
Não sei se perdi o trem,
Não sei se me parti em duas.
Tua mão em minha nuca,
Teu olho perturbando meu juízo.
Minha boca procurando a tua.
Havia muita coisa a ser dita.
Silêncio.
Vontade que ardia.
Sem palavras, um beijo.
Adeus.
Correm-se dias.
Rio de lágrimas dentro de mim.
Vazio.
Sinto teu cheiro.
Aquela canção.
Pele nua e crua. Mãos.
Céu sem nuvem.
Noite.
Chuva.
Um acordo tácito,
Tempo perdido.
Perto e tão longe de tudo.
É que não me deixei sentir.
Passo à frente. Medo. Recuo.
Mais uma vez perdi.
Me atraso.
Deixei-me partir.
Não sei se perdi o trem,
Não sei se me parti em duas.
domingo, 9 de agosto de 2009
Transgredir
Esse desespero que me rasga o peito não tem nome.
Só sei que ando, e choro.
E as lágrimas me correm o rosto, até que consigo um abraço.
E nesse afago eu tenho medo de contaminar você com a minha tristeza.
Vidro que se partiu, que me pôs a pele em carne viva.
Desespero que atravessa o coração, e me deixa sem voz.
Falta de coragem que me perturba.
Vontade de atravessar a rua.
Ser humano, quem é es tu?
Como posso viver, inconformado?
Quem me ensinou ser assim, transparente
Com esses perfumes que exalo?
Por que preciso sentir a vida,
Dar fortes tragos?
Por que não devo ser aquilo que foi anunciado?
Destino, que quiseste tu trazendo-me à tona?
Agora me rasga o peito essa tal fome de liberdade.
Agora dói nas entranhas a possibilidade de escolha.
Agora dá um nó no grito que precisa sair.
Agora sou eu, só, e preciso,
Transgredir...
Só sei que ando, e choro.
E as lágrimas me correm o rosto, até que consigo um abraço.
E nesse afago eu tenho medo de contaminar você com a minha tristeza.
Vidro que se partiu, que me pôs a pele em carne viva.
Desespero que atravessa o coração, e me deixa sem voz.
Falta de coragem que me perturba.
Vontade de atravessar a rua.
Ser humano, quem é es tu?
Como posso viver, inconformado?
Quem me ensinou ser assim, transparente
Com esses perfumes que exalo?
Por que preciso sentir a vida,
Dar fortes tragos?
Por que não devo ser aquilo que foi anunciado?
Destino, que quiseste tu trazendo-me à tona?
Agora me rasga o peito essa tal fome de liberdade.
Agora dói nas entranhas a possibilidade de escolha.
Agora dá um nó no grito que precisa sair.
Agora sou eu, só, e preciso,
Transgredir...
domingo, 19 de julho de 2009
Bailarina
Bailarina, menina
Qual seria o destino do pó que sai dos seus pés ao dançar?
No palco do teatro, ela é pura comoção, isso é fato.
No palco da vida, sem sua sapatilha,
Não há música, destino,nem certeira felicidade.
Há tempos procura o que não quer ser procurado.
Há dias em que passa perto da loucura.
Tem acessos de ódio e dias de cansaço.
Há dias em que é estranha e sozinha criatura.
Quem perdeu o bibelô, esta bailarina?
Que é tão mulher no seu afazer, e pobre criança fora dos palcos?
Que falta pra ela, doce criatura do olhar cansado?
É que não consegue mais pensar em futilidades.
Chega em casa depois de tanto dançar seu triste fardo,
e dorme serena, sem pensar no amanhã.
E no amanhecer de um dia de sol azul e sem nuvem,
Esquece os temores da noite.
Põe a música assim, a dançar
Bailarina, menina, com seus movimentos de luz
Esqueceste o quão boa pode ser a vida
Dos dias do sol quente lhe queimando a pele
Mesmo que não cicatrize a ferida,
ali, no palco da vida,
Com suas dores invisíveis,
Deixa voar o pó das sapatilhas.
Qual seria o destino do pó que sai dos seus pés ao dançar?
No palco do teatro, ela é pura comoção, isso é fato.
No palco da vida, sem sua sapatilha,
Não há música, destino,nem certeira felicidade.
Há tempos procura o que não quer ser procurado.
Há dias em que passa perto da loucura.
Tem acessos de ódio e dias de cansaço.
Há dias em que é estranha e sozinha criatura.
Quem perdeu o bibelô, esta bailarina?
Que é tão mulher no seu afazer, e pobre criança fora dos palcos?
Que falta pra ela, doce criatura do olhar cansado?
É que não consegue mais pensar em futilidades.
Chega em casa depois de tanto dançar seu triste fardo,
e dorme serena, sem pensar no amanhã.
E no amanhecer de um dia de sol azul e sem nuvem,
Esquece os temores da noite.
Põe a música assim, a dançar
Bailarina, menina, com seus movimentos de luz
Esqueceste o quão boa pode ser a vida
Dos dias do sol quente lhe queimando a pele
Mesmo que não cicatrize a ferida,
ali, no palco da vida,
Com suas dores invisíveis,
Deixa voar o pó das sapatilhas.
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