sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Causos de Borboleta

Não saberei dizer se é mentira ou verdade, 
Mas tive hoje uma vontade de contar um causo. 
Causos desses, de borboleta,
Daquelas que só andam em par na primavera
E quando estão sozinhas é obra do acaso.
O fato é que me contou essa borboleta
Que um dia, a menina-mulher de pouca idade
De pés nus flutuava em uma órbita distante,
Quando encontrou o capitão da sua embarcação, 
que em sonhos um anjo veio avisá-la.
Ela não sabe ao certo se o capitão era o anjo no sonho,
O fato é que da órbita voltou. 
Encontrou a embarcação, o capitão, o mar calmo
E em noite de muitas estrelas,
feito Guma e Lívia, em alto mar se amaram.
A menina-mulher de pouca idade quase nada sabia da vida
Porque na maioria das vezes era menos mulher, mais menina,
E sentava com seu vestido curto a enrolar nos dedos seus cachos.
Em dia de sol borboletas vinham em par visitar-lhe,
E encontrava a menina dos cachos aninhada em seu capitão, sentindo-se amada
E as borboletas partiam, compadecendo-se do olhar da doce menina
Como se prevessem a chegada de um inverno pálido. 
Eis que um dia a serelepe menina-mulher acordou mais cedo
E não estava mais no barco.
Voltara à órbita em que se encontrava, só que mais perdida
Descera a procurar o capitão e seu barco
Mas ele partira. Como borboletas que somem no inverno,
Alguém deixara seu coração em pedaços.
Agora volta a borboleta amarela, cor de primavera
Contar que a menina-mulher, linda que era
Muito chorou, mas tão linda era ela
Que sua própria embarcação montou.
Agora mais mulher do que menina,
Deixou de enrolar seus cachos
Para cantar para as borboletas no inverno. 
Hoje elas aparecem aos pares,
Enfeitam a terra e os sete mares, 
E a mulher-menina é rainha da embarcação. 
 
 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Leãozinho caminhando sob o sol


Ouvia essa música hoje pela manhã e ela me lembrou meus últimos dias. Um leãozinho molhando a juba com todos os sorrisos permitidos pela vida. E eu ainda me deixo surpreender com a capacidade desses leões vorazes como Caetano, detentores de um poder magnânimo de consagrar poesia em música:

"Um filhote de leão, raio da manhã
Arrastando o meu olhar como um ímã
O meu coração é o sol pai de toda a cor
Quando ele lhe doura a pele ao léu

Gosto de te ver ao sol, Leãozinho
De te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba"

E acabou o carnaval, junto com o mês mais curto do ano. Para uns, o ano começa agora. Dentro dessa visão então, desejo ser por todo o ano esse filhote de leão que caminha sob o sol sem medo do futuro. Voraz e desbravador, trazendo o sol mesmo quando este teimar em se esconder sob nuvens. E a pobre Amelie não se cabe em tanta felicidade, pelo simples respirar, pela dádiva de Deus concedida, pelos pés descalços e até pela falta de inspiração causada pelas paisagens mais belas que viu. Acho que é culpa de São Salvador.
Excelente 2009 pra vocês, com direito à muita vida.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Imprevisto, visto

Há dias em que a gente espera a brisa na janela, mas nem é ela
Há dias em que a gente espera tempestade, furacão
Amor no portão
Dia de cinderela
Batuque de tambor, abraço apertado, calor.
Há dias em que a gente nada pede e nada quer
E dias de tanto querer e malmequer!
Há dias em que não há felicidade, nem cidade
Há dias em que tudo há, mas nada é verdade.
Dias de pé no chão, sorrisos, risos
Dias de grito, suplício, um rasgo no peito
Olho no olho de quem gosta, amor, respeito
Beijos de cinema, olho na tela, novela
Dias meus, dias seus, dias dela
Dias de nada pedir, dias de agradecer
Oferecer
Coração, perdão, oração.
Dias de se partir em dois, repartir
Dias em que o tempo abre
O vento vem forte, a porta bate,
a brisa passa,
estado total de prosa, poesia e graça
Amor sem graça
Tudo passa
Menos a brisa inesperada
Dos dias que estão por vir.